.
é mais fácil do que parece. primeiro, junte tudo num só lugar, depois espalhe por aí, de modo que cada coisa, seja ela o que for, olhe pra nada além de si. aliás, as coisas não precisam ter olhos pra olhar pra si. não nesse sentido.
depois, adicione um pouco de saliva. é, saliva. cuspe? não, cuspe não. cuspe é saliva em movimento. entenda de vez, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. mesmo que essas coisas sejam a mesma coisa. a ação é o que as define. mesmo que passivamente. afinal, saliva não pede pra ser cuspida. nunca.
mas onde eu estava mesmo? ah, a saliva. pois é. passe-a em cada coisa com a língua, como se as coisas fossem as coxas as quais você deseja de paixão. mas nada de ereções ou inundações, ok? afinal de contas, coisas são só coisas. não há motivos pra excitação. e nem é pra isso que estamos aqui mesmo. lembre-se, é pra aprender a fazer. e é fácil. mais do que parece.
enfim, a saliva. passe-a com a língua. a língua é parte importante do corpo. é com ela que toca-se e sente-se o gosto ao mesmo tempo. depois, pegue cada coisa, uma por uma, ajoelhe-se em frente a tv, e faça-as assistir ao jornal nacional. pronto, agora elas sabem omitir. é, coisas aprendem. algumas menos do que o que são destinadas a fazer. mas não as suas coisas, pois elas agora estão cobertas por saliva, lembra? a sua saliva.
agora, praia. sol de meio dia. mas corra, pois a saliva não pode secar e dia nublado não vale. não há luz suficiente. e é lá na saliva onde está o aprendizado das coisas. enterre-as como se plantasse um bonsai. é, aquela arvorezinha atrofiada. agora vá pra casa. e durma. acorde, beba água e vá ao banheiro. volte ao quarto. janela. olhe lá fora, todas as coisas não enterradas ou lambidas por você. vê?
eu também. todo santo dia. agora que você já sabe como é, que tal?
vitório vilas
Friday, January 18, 2008
Sunday, January 13, 2008
das entrelinhas da folha
.
ame ame ame inhame
é foda foder com fome.
depois do gozo, o pão
que o diabo amassou.
depois dos desjejuns, o sono
anestésico e sem sonhos memoráveis.
a cola, a corda
acolá, acorda
a corda, a cola
acorda acolá. do outro lado, no céu?
ou no inferno?
naaaaaa! o inferno era aqui.
qual será a manchete logo mais?
vitório vilas
ame ame ame inhame
é foda foder com fome.
depois do gozo, o pão
que o diabo amassou.
depois dos desjejuns, o sono
anestésico e sem sonhos memoráveis.
a cola, a corda
acolá, acorda
a corda, a cola
acorda acolá. do outro lado, no céu?
ou no inferno?
naaaaaa! o inferno era aqui.
qual será a manchete logo mais?
vitório vilas
Thursday, December 13, 2007
formoZo
.
cabe a cada um muito mais que pensa
o vulgo vulgar.
cada um que se conhece
pois que se compre
e dessa maneira a gente faz um mundo melhor.
cabe o que se faz
o que se diz
e o que se paga
só não cabe o do outro lado do espelho
na frente de cada um.
aposto, cada um gostaria
de ter um outro ao lado bem agora.
embora poucas vezes um outro
gostaria de ter o cada um ao lado.
lance de dados viciados
é quando há feliz coincidência.
aí, assim deveria ser
perderia-se a decência hipócrita
a doença dos bons costumes
e foderia-se. foderiam-se.
trepariam-se entre si os que quisessem
e assim seria.
mas não é.
uns dizem foda-se.
outros fodem-se.
outros fazem amor.
mas todos; e eu digo todos
gozam.
o gozo. o seu, meu, o do bozo.
todo gozo é igual.
só muda o dono. e as células sensoriais.
os casais.
não se engravida de um dedo.
não, ana maria, não.
pois bem, então sorria.
segure forte a minha mão.
isso. forte.
assim...
Vitório Vilas
cabe a cada um muito mais que pensa
o vulgo vulgar.
cada um que se conhece
pois que se compre
e dessa maneira a gente faz um mundo melhor.
cabe o que se faz
o que se diz
e o que se paga
só não cabe o do outro lado do espelho
na frente de cada um.
aposto, cada um gostaria
de ter um outro ao lado bem agora.
embora poucas vezes um outro
gostaria de ter o cada um ao lado.
lance de dados viciados
é quando há feliz coincidência.
aí, assim deveria ser
perderia-se a decência hipócrita
a doença dos bons costumes
e foderia-se. foderiam-se.
trepariam-se entre si os que quisessem
e assim seria.
mas não é.
uns dizem foda-se.
outros fodem-se.
outros fazem amor.
mas todos; e eu digo todos
gozam.
o gozo. o seu, meu, o do bozo.
todo gozo é igual.
só muda o dono. e as células sensoriais.
os casais.
não se engravida de um dedo.
não, ana maria, não.
pois bem, então sorria.
segure forte a minha mão.
isso. forte.
assim...
Vitório Vilas
Thursday, December 06, 2007
a carta de amor que nunca entreguei
.
queria poder dizer
"me encontre em hora x, dia tal"
coisa assim, coisa e tal
levaria uma caixa de chocolates
diets, pois sei o quão tememosa é você
com açúcares e seus dentes.
dentes que compoem sorriso-poesia
alegria de qualquer uma de minhas manhãs
acordadas ao teu lado.
queria poder dizer "me espera na janela"
bem na hora do mais belo pôr-do-sol
e te levar flores arrancadas na hora
só pra depois ir embora
deixando um rastro de saudade à tua frente.
queria teu abraço eterno
tua paciência pequena
inquietude plena
tuas brigas amenas
teu colo nervoso...
queria morar na tua cidade.
ser teu vizinho de cima.
queria te inventar minhas verdades.
vitimado por tua manobra-prima
adormecer... queria.
cantarolar em teus curtos cabelos
que curto demais teu cafuné.
"que tal um café?"
o teu olhar, o maior dos teus zelos...
queria, sem querer
que essas palavras chegassem aos teus ouvidos
mas você não sabe esse endereço
tão bem quanto sei o teu.
que pena.
que pena.
Vitório Vilas
queria poder dizer
"me encontre em hora x, dia tal"
coisa assim, coisa e tal
levaria uma caixa de chocolates
diets, pois sei o quão tememosa é você
com açúcares e seus dentes.
dentes que compoem sorriso-poesia
alegria de qualquer uma de minhas manhãs
acordadas ao teu lado.
queria poder dizer "me espera na janela"
bem na hora do mais belo pôr-do-sol
e te levar flores arrancadas na hora
só pra depois ir embora
deixando um rastro de saudade à tua frente.
queria teu abraço eterno
tua paciência pequena
inquietude plena
tuas brigas amenas
teu colo nervoso...
queria morar na tua cidade.
ser teu vizinho de cima.
queria te inventar minhas verdades.
vitimado por tua manobra-prima
adormecer... queria.
cantarolar em teus curtos cabelos
que curto demais teu cafuné.
"que tal um café?"
o teu olhar, o maior dos teus zelos...
queria, sem querer
que essas palavras chegassem aos teus ouvidos
mas você não sabe esse endereço
tão bem quanto sei o teu.
que pena.
que pena.
Vitório Vilas
Friday, November 30, 2007
.
eu invento coisas. coisas que existem.
mas não copio ninguém. não, isso não.
isso eu deixo pra os espertos.
eu invento é coisa que exise.
por exemplo...
tempo atrás inventei que eu fotografo.
desde então tenho inventado umas fotos.
uns ângulos. perspectivas.
acho que a perspectiva é uma invenção
(e quem a inventou é um gênio.
tem umas coisas que eu gostaria de ter inventado
a percepção é uma delas. ah, e o youtube também)
i
n
vento
e
n
t
o que eu quiser.
a hora que quiser.
sabe como é?
centenas de milhares
os mais variados tipos
impossíveis de conceber
seletas.
além. aquém. incompleta
s
minhas.
Vitório Vilas
eu invento coisas. coisas que existem.
mas não copio ninguém. não, isso não.
isso eu deixo pra os espertos.
eu invento é coisa que exise.
por exemplo...
tempo atrás inventei que eu fotografo.
desde então tenho inventado umas fotos.
uns ângulos. perspectivas.
acho que a perspectiva é uma invenção
(e quem a inventou é um gênio.
tem umas coisas que eu gostaria de ter inventado
a percepção é uma delas. ah, e o youtube também)
i
n
vento
e
n
t
o que eu quiser.
a hora que quiser.
sabe como é?
centenas de milhares
os mais variados tipos
impossíveis de conceber
seletas.
além. aquém. incompleta
s
minhas.
Vitório Vilas
telEUfonema
.
é. eu falo mesmo comigo.
qual o problema?
algum problema se de vez
em quando, quando me sinto só
eu falo sozinho?
nem é tão difícil assim.
falo dos mais variados assuntos
mas só dos que eu gosto...
é que não tem graça falar comigo
sobre assuntos que não gosto.
às vezes, durante severas emergências
eu grito "socorro" pra mim mesmo.
foda é quando eu não me ajudo
só pra ver alguém se ferrar na estória
vai dizer que você nunca fez isso na vida...?
é. vai dizer?
ei.
...
...
ô.
...
tô falando com você, ô idiota.
é. você, olhando pra mim. surdo?
alô, você dos espelho.
pensou que eu estava falando com quem?
Vitório Vilas
é. eu falo mesmo comigo.
qual o problema?
algum problema se de vez
em quando, quando me sinto só
eu falo sozinho?
nem é tão difícil assim.
falo dos mais variados assuntos
mas só dos que eu gosto...
é que não tem graça falar comigo
sobre assuntos que não gosto.
às vezes, durante severas emergências
eu grito "socorro" pra mim mesmo.
foda é quando eu não me ajudo
só pra ver alguém se ferrar na estória
vai dizer que você nunca fez isso na vida...?
é. vai dizer?
ei.
...
...
ô.
...
tô falando com você, ô idiota.
é. você, olhando pra mim. surdo?
alô, você dos espelho.
pensou que eu estava falando com quem?
Vitório Vilas
Thursday, October 18, 2007
bom dia
.
e aí deu vontade de novo
do velho novo mais do mesmo
só pra constar
só pra postar
pra não perder o hábito
de falar sozinho pra ninguém
além de você.
como é que foi seu dia?
o meu?
amanheceu de novo e sequer terminou.
acontece... acontece...
Vitório Vilas
e aí deu vontade de novo
do velho novo mais do mesmo
só pra constar
só pra postar
pra não perder o hábito
de falar sozinho pra ninguém
além de você.
como é que foi seu dia?
o meu?
amanheceu de novo e sequer terminou.
acontece... acontece...
Vitório Vilas
do(i)s ocupados
.
café com pão e queijo
e o beijo, cadê?
pegou o elevador
ah, que dor-de-sejo
e o medo de ser
cadê? passou.
foi-se embora
e agora? só à noite.
açoite. na cara.
que tara é essa por rimas cults?
que tara é essa por primas cuteS?
oBra essa... que tara. que cara.
que mara-maravilha. que maravi-ri-lha.
só à noite.
noite.
"então, que tal?" - disse a mão
-pensou o pau-
tentou o seio
acertou em cheio o vão do ar
vão dormir sem se falar
amanhã, manhã, quem sabe o beijo
antes do pão, escova e o queijo.
Vitório Vilas
café com pão e queijo
e o beijo, cadê?
pegou o elevador
ah, que dor-de-sejo
e o medo de ser
cadê? passou.
foi-se embora
e agora? só à noite.
açoite. na cara.
que tara é essa por rimas cults?
que tara é essa por primas cuteS?
oBra essa... que tara. que cara.
que mara-maravilha. que maravi-ri-lha.
só à noite.
noite.
"então, que tal?" - disse a mão
-pensou o pau-
tentou o seio
acertou em cheio o vão do ar
vão dormir sem se falar
amanhã, manhã, quem sabe o beijo
antes do pão, escova e o queijo.
Vitório Vilas
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vitório vilas poesia
Tuesday, October 02, 2007
snh
.
há o que dizer, sim
só não se sabe como
há quem ame a mim, sim
só não se sabe o dono
de tamanho amor
anônimo, envergonhado
tal qual eu
nunca teve coragem de assumir
suas próprias palavras
(no meu caso, é que às vezes minto)
01:04, o telefone não vai mais tocar
vá dormir, ser deveras burro
de que adianta esperar?
medo dos sonhos que parecem murros?
receio de não conseguir transpor muros
cercas e o ar?
não consegue mais voar, não é verdade?
anda na própria cidade e não consegue
mais encontrar sua casa
tudo mudou e continua tão igual
que do certo só resta mesmo o gozo
ê, maldito dia chuvoso
quem mandou molha-la tanto assim?
não suporto vê-la em tal estado
se não for só por mim
minhas mãos te pedem tanto
quanto te temem as coxas
duas bocas roxas cujo tempo separou
enfim tocam-se...
é quando toca o despertador.
sigo o dia inteiro insone
e imune a sonhos diurnos.
vitório vilas
há o que dizer, sim
só não se sabe como
há quem ame a mim, sim
só não se sabe o dono
de tamanho amor
anônimo, envergonhado
tal qual eu
nunca teve coragem de assumir
suas próprias palavras
(no meu caso, é que às vezes minto)
01:04, o telefone não vai mais tocar
vá dormir, ser deveras burro
de que adianta esperar?
medo dos sonhos que parecem murros?
receio de não conseguir transpor muros
cercas e o ar?
não consegue mais voar, não é verdade?
anda na própria cidade e não consegue
mais encontrar sua casa
tudo mudou e continua tão igual
que do certo só resta mesmo o gozo
ê, maldito dia chuvoso
quem mandou molha-la tanto assim?
não suporto vê-la em tal estado
se não for só por mim
minhas mãos te pedem tanto
quanto te temem as coxas
duas bocas roxas cujo tempo separou
enfim tocam-se...
é quando toca o despertador.
sigo o dia inteiro insone
e imune a sonhos diurnos.
vitório vilas
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